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Estava assistindo um filme peculiar, chamado Bunraku. Ele é uma história razoavelmente familiar, contada de uma maneira baseada no que primeiro me parecia quadrinhos, mas não exatamente e , ao investigar, se provou não ser. A direção de arte do filme é baseada na tradição homônima (文楽) japonesa, que é uma espécie de teatro de fantoches. O visual é bastante estilizado, e tenho quase certeza que os diálogos foram tirados de um sonho que tive uma vez mas não lembro mais. O que me levou a devanear sobre isso: sonhos perdidos.

É uma noção incômoda, como uma música que soa similar a algo que você conhece intimamente, mas fundamentalmente dissonante aos seus ouvidos. Não consigo evitar o pensamento de que é como esquecer parte do que se foi, tanto um passado abandonado quanto um abandono de si passado.

E, no entanto, hão aqueles sonhos que não passam, não mudam, e que são tão difíceis visualizar quanto aqueles que não são mais carregados: tão inefáveis quanto o cheiro de um primeiro amor, ou o som de um coração partido às 3:42am.

Inesquecíveis, mesmo que nunca tenham sido como você se lembra deles.

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