Freedom or Death

Publicado: dezembro 6, 2010 em general insanity

And it happened again.

Sometimes I feel like something is inherently wrong with the world. Like, there is an universal law written somewhere, hidden within a place of power and protected from the eyes of mortal men and women. During those moments, I try and force myself to find some kind of reassurance on the possibility that the universe is not – in point of fact – evil.

No. It isn’t.

Sometimes, what happens is tha I find myself stuck inside some kind of running wheel, that makes me move fast and furiously and never leave whichever dark place I happen to be. In this universe, dark places are large and plenty, and most of them aren’t very easy to navigate. Dark places are different from the empty ones, and those empty ones I have not threaded in a long while.

It has been a long while since I felt that lonely. Perhaps not ever since I was twelve. But sometimes, when days start bleeding into the night, I find myself staring down at such places. And that’s when I start being weird.

It is exhilarating. Like freedom should be. Maybe it is.

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Chovia ironicamente naquela noite em Barro Seco. Bruno bateu a porta quando entrou no apartamento e chutou a primeira coisa disponível, que, para sua infelicidade, era uma conjunto de banco e mesa de metal cromado. A dor do contato veloz e nada gracioso de seu pé contra o conjunto, que permaneceu imóvel após o incidente, apenas adicionou à raiva.

De orgulho ferido e extremidade latejando, Bruno colocou o elepê do filme “Áses Indomáveis” a todo volume e  foi para o banheiro, removendo peças de roupa. Quando chegou ao box estava despido de quase tudo: tempo, regras, pensamentos, ficaram para fora das cortinas. Quando água começou a correr, só restava Bruno, e nada mais.

Oh, e sua dor no pé, é claro.

This Love

Publicado: setembro 16, 2010 em general insanity, series

Does this darkness have a name?

This cruelty, this hatred. How did it find us? Did it steal into our lives or did we seek it out and embrace it?

What happened to us?

That now we send our children out into the world like we send young men to war, hoping for their safe return but knowing that some will be lost along the way.

When did we lose our way?

Consumed by the shadows, swallowed whole by the darkness.

Does this darkness have name?

Is it your name?

And nothing else to say.

Disintegration

Publicado: setembro 15, 2010 em general insanity, music, series

Este é um daqueles momentos caros, quando sou lembrado por palavras proferidas, imagens (i)maginadas e melodias entonadas: sou escravo das ficções do meu coração (e brega e piegas), e ele canta o seguinte para mim:

I wonder why I’m so caught off guard when we kiss.
I rather live my life in regret than do this.
What happened to the love we both knew, we both chased?
Hanging on a cigarette, you need me,

You’ll burn me.

Yes you do.

Galáxias de Você

Publicado: setembro 3, 2010 em general insanity, real life

Sou um contador de histórias desde muito pequeno.

E antes que alguém avance com o pensamento que tal sentença quer dizer que eu mentia muito quando criança, bem, eu fiz isso, mas não é isso que quero dizer. Quero dizer que desde muito cedo imaginava ficções, histórias que se passavam em lugares parecidos com os que me cercavam e outros que só podiam ser imaginados.

Enquanto crescia, minha imaginação era exercitada constantemente. A portaria do prédio nos fundos do meu era uma nave espacial, lutei contra alienígenas vulneráveis à correntes de cobre, sonhava em participar de super-sentais. Eu tinha sete anos de idade.

Em uma época misturava elementos de maneiras absurdas: personagens de quadrinhos com sistemas de role-playing games, vagando por mundos conectados por mágica, onde as pessoas bebiam ouro e usavam moedas feitas d’água como dinheiro. Eu tinha dez anos de idade.

A fogueira do tempo queimou, e nos anos que seguiram nunca deixei o absurdo abandonar a minha mente. Aprendi a criar personagens que pareciam pessoas, a construir mundos onde estes personagens viviam,  conceber deuses e contar histórias envolvendo estes elementos. E então as histórias começaram a fazer sentido, e não só para mim: para as pessoas em volta.

Eram histórias simples, bobas talvez, mas falavam de coisas que eu e estas pessoas consideravam importantes. Falavam de bravura e camaradagem, de vitórias e derrotas, de estar preparado para situações inusitadas como ataques de zumbis ou a descoberta de que o mundo que conhecemos é a fachada que esconde horrores melhor ignorados.

Essas histórias podiam ser pouco – ou nada – interessantes para você, mas isso também é importante. A visão de cada pessoa sobre o mundo cria um novo universo que ocupa o mesmo lugar, e que é exatamente igual e absolutamente diferente ao mesmo tempo. Isto me ensinou a contar histórias diferentes para pessoas diferentes, me ensinou a misturar estrelas que só existiam dentro de uma pessoa, e de outra e de outra, e transforma-las numa galáxia, onde todos podíamos enxergar o brilho que antes só existia dentro de nós.

Desde então criei cosmogonias e tramas complexas, com camadas e mais camadas, misturando tudo que podia conseguir justificar. Achei consistência e razão, do caos criando ordem. E estas histórias moldaram o meu e o modo de outros de (vi)ver o mundo.

Através de histórias, descobrimos as pessoas que gostaríamos de ser:

Aquelas quais histórias choramos ao contar.

You Never Know

Publicado: setembro 1, 2010 em general insanity, real life

Pessoas são estranhas.

Qualificamos com esse adjetivo todas as que não conhecemos. O conceito de conhecer pode ser ampliado, dependendo das idiossincracias de um indíviduo específico. Para José, por exemplo, todos aqueles que não são de sua cidade natal, Monte Branco, são estranhos. Tudo que ele sabe sobre aquelas pessoas é que não são do mesmo lugar que ele e, para José, isto basta.

Para Camila, esposa de José, Antonio Fagundes não é um estranho. Ele não é do mesmo lugar que ela ou José, mas ela sente que o conhece, afinal, eles tem se visto por anos – ou pelo menos ela o tem. Ela viu Antonio ser um executivo corrupto, vários galãs, e até mesmo Deus. Muitas dessas vezes ele tinha nomes diferentes, e histórias diferentes. Mesmo quando usando o nome de Antonio, ele só existia enquanto a televisão estava ligada e, para Camila, isto basta.

Chances são que, para você, a grande maioria das pessoas que você vê na rua são estranhas. Não sabe quem são, ou porque são. Não sabe para onde vão, ou porque não. E pouco se importa, afinal,você sabe que não sabe quem são. E para você, isto basta.

Um dia, alguém se aproximou de você, e de José, de Camila e de muitos outros. Alguém que era estranho (e portanto, não o Antonio), mas por um motivo ou por outro, nenhum dos três pôde se livrar deste indivíduo. Logo, um detalhe, um olhar, um pedaço imensurável de suas vidas foi trocado, e a estranheza se foi. A partir daquele momento eram sagazes, insuportáveis, excitantes, sujas, ruivas, grandes, mas não estranhas. Aquela característica inexplicável, insondável se perdera e nada mais restara a não ser lugares-comuns.

Porém, algumas pessoas viajam além destes lugares-tão-visitados. Por escolha ou circunstância, são trocados mais do que sorrisos de meia-vontade e frases prontas. Conversas fora-de-hora e permutações sem-sentido encontram ouvidos atentos. Laços se formam mudando para sempre a dinâmica entre elas.

E, é nesse momento, quando conhece alguém de verdade, quando consegue discernir que o que o que está sendo mostrado é só uma projeção na tela, e finalmente vira-se em direção ao projetor, você nota que existe algo – alguém – ali que é completamente diferente do que você viu até agora.

Tão diferente que chega a ser estranho.

Welcome

Publicado: agosto 19, 2010 em general insanity, sketches

Você está morrendo.

Sua vida diminui de valor a cada instante que passa. Tic-tac – não serás mais um advogado – tic-tac – não escreverás uma valsa – tic-tac – não a beijou quando poderia. A partir do momento em que podemos fazer escolhas, matamos sonhos com a facilidade – e velocidade – de um estalar de dedos.

Plac.

Plac.

Plac.

Por isso que existem lugares como esse. Lugares onde um estalar dos dedos é só o começo. O começo da parte mais definitiva de sua vida. O começo do fim.

Bem-vindo à Barro Seco. Onde os sonhos vêm para morrer.

Mas não imediatamente.

Antigo discurso de boas-vindas do prefeito de Barro Seco.