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Disintegration

Publicado: setembro 15, 2010 em general insanity, music, series

Este é um daqueles momentos caros, quando sou lembrado por palavras proferidas, imagens (i)maginadas e melodias entonadas: sou escravo das ficções do meu coração (e brega e piegas), e ele canta o seguinte para mim:

I wonder why I’m so caught off guard when we kiss.
I rather live my life in regret than do this.
What happened to the love we both knew, we both chased?
Hanging on a cigarette, you need me,

You’ll burn me.

Yes you do.

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Because they do.

Não quero ser dono da gargalhada mais alta. Ou o cara que nunca quer estar sozinho. Não quero ser aquele que você liga às quatro da manhã só porque vou ser a única pessoa acordada. Não quero ter que preencher silêncios que me assustam porque dizem a verdade.

O sol me cega. Fiquei acordado de novo.

Não quero que minha história acabe assim.

Às vezes me pego pensando em coisas que não deveriam ser tão importantes assim. Em palavras que proferi, em movimentos do outro lado da vitrine, em músicas de décadas passadas que reverberam como se recém tocadas pela primeira vez. E talvez seja exatamente isso que ressoa: o primeiro toque, inesquecível, indelével, delicioso. Talvez seja esse o sentido da lembrança. Talvez seja como os fios que compõe uma música. Tecidos de padrões e fábrica variados, tingidos das cores de como sentimos aquele momento, no paradoxo da absurda proximidade e melancólica distância.

E então eu desperto, aturdido pela realidade não menos indelével e deliciosa. Feita de tons amenos que serão exarcebados pela memória e de gritantes destoares que serão sussurrados tons-de-cinza, tão suaves que mal saberemos que eles estão lá.

É assim a (minha) vida. Cheia de tons e meios-tons, com os fios d’ouro e prata, adornando os tecidos aveludados do céus.

Prontos para serem jogados aos teus pés.

Star-Jarring Lament

Publicado: maio 17, 2008 em general insanity, music, series

Alone she sleeps in the shirt of man
With my three wishes clutched in her hand

The first she be spared the pain
That comes from a dark and laughing rain
When she finds love may it always stay true
This I beg for the second wish I made too

But wish no more
My life you can take

To have her please just one day wake

Corta.

coldandbroken01

Há um balanço por aí que ainda não consegui encontrar. Não o brinquedo, feito de uma tábua onde a pessoa senta e ladeada por um par de correntes que sobem até alcançar uma haste de mental horizontal e balança-se tão suavemente ou não quanto tal pessoa desejar. Estou falando de equilíbrio físico, emocional, intelectual e existencial.

Imagino como pode ser difícil encontrar tal balanço. Não consigo sequer começar a imaginar como é alcança-lo, porque significaria um equilíbrio em todas as coisas. No assentar do pó sobre os móveis da casa, no observar a água escorrer pelo lado de fora da janela em um dia especialmente cinza e chuvoso, no esperar um bolo, cheirando a delícias tamanhas que vivemos duas vidas só no espaço entre o inspirar e o abrir os olhos novamente. A vida pode ser sobre essa busca, sobre a jornada finita do ser humano atrás esse balanço.

Mas digresso. Na verdade, não foi sobre isso que vim falar. Só vim aqui falar sobre um frio e partido aleluia.

“I heard there was a secret chord
that David played and it pleased the Lord
but you don’t really care for music, do you
well it goes like this: the fourth, the fifth
the minor fall and the major lift
the baffled king composing hallelujah

well your faith was strong but you needed proof
you saw her bathing on the roof
her beauty and the moonlight overthrew you
she tied you to her kitchen chair
she broke your throne and she cut your hair
and from your lips she drew the hallelujah

baby i’ve been here before
I’ve seen this room and I’ve walked this floor
I used to live alone before I knew you
I’ve seen your flag on the marble arch
but love is not a victory march
it’s a cold and it’s a broken hallelujah

well there was a time when you let me know
what’s really going on below
but now you never show that to me do you
but remember when i moved in you
and the holy dove was moving too
and every breath we drew was hallelujah

well, maybe there’s a god above
but all I’ve ever learned from love
was how to shoot somebody who outdrew you
it’s not a cry that you hear at night
it’s not somebody who’s seen the light
it’s a cold and it’s a broken hallelujah

hallelujah”

Uma hora dessas eu entendo o que quis dizer com tudo isso. Sintam-se livres para faze-lo antes de mim.

Há algo na imaginação humana que simplesmente me comove.

Certas palavras, escritas ou pronunciadas. Certas cenas, descritas nas folhas ásperas e aconchegantes  de um livro, ou emitidas por canhões de luz e reforçadas pelo som vívido que saem das suas caixas. É a água correndo. São os cães uivando. São as lágrimas que caem. É o sofrimento humano.

Uma cena dessas é como um cheiro. Traz memórias e sentimentos que nem sabia que haviam dentro de mim. Corro com astronautas ensandecidos lutando e caindo a milhões de quilômetros por hora em um espaço infindável, em busca de lugar para chamar de lar. Acompanho irmãos tentando salvar o mundo do que existe na sombra entre o dia e a noite, e tentando salvar a eles mesmos no processo. Venho ver e vivo a vida não-vivida por mim e por outros, mas experimentada por todos nós naquele momento. Imaginada, ali e, agora, aqui.

Estes são os quadros e esculturas do novo mundo. Estas são as virtudes do meu universo. São parte da vida que escolho viver todo o dia. Mas só parte dela.

Tem toda aquela parte que não foi imaginada, mas é humana. E simplesmente me comove.