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It’s Alive

Publicado: setembro 30, 2014 em general insanity, real life

Hoje participei de um seminário de literatura, e foi fantástico como eu não lembrava que seria. Foi um sopro de ar nas brasas pacientes da minha imaginação literária. Não começou um incêndio, não. Mas as peças que antes estavam cinzas e quebradiças ousaram se alaranjar novamente. Elas aguardarão, esperando mais sopros e movimentos. Mais uma chance de iluminar através das cinzas do que já queimou antes.

Logo, chamas rugirão novamente.

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Estava assistindo um filme peculiar, chamado Bunraku. Ele é uma história razoavelmente familiar, contada de uma maneira baseada no que primeiro me parecia quadrinhos, mas não exatamente e , ao investigar, se provou não ser. A direção de arte do filme é baseada na tradição homônima (文楽) japonesa, que é uma espécie de teatro de fantoches. O visual é bastante estilizado, e tenho quase certeza que os diálogos foram tirados de um sonho que tive uma vez mas não lembro mais. O que me levou a devanear sobre isso: sonhos perdidos.

É uma noção incômoda, como uma música que soa similar a algo que você conhece intimamente, mas fundamentalmente dissonante aos seus ouvidos. Não consigo evitar o pensamento de que é como esquecer parte do que se foi, tanto um passado abandonado quanto um abandono de si passado.

E, no entanto, hão aqueles sonhos que não passam, não mudam, e que são tão difíceis visualizar quanto aqueles que não são mais carregados: tão inefáveis quanto o cheiro de um primeiro amor, ou o som de um coração partido às 3:42am.

Inesquecíveis, mesmo que nunca tenham sido como você se lembra deles.

Ourobouros

Publicado: abril 18, 2012 em general insanity

Depois de mais um hiato magnífico, cá me encontro novamente.

É estranho como essa minha falha é circular, e enervantemente (ah, os neologismos) previsível. Coisas previsíveis, porém, nem sempre são ruins. Existe um certo valor na familiaridade do lugar-comum, que não deve ser subestimada – afinal, existe uma razão para tal lugar ser tão freqüentado. Provavelmente, aliada à falta de vergonha, essa poderia ser uma das grandes razões do plágio.

O plágio é uma das formas mais peculiares de circularidade – e de lisonja, ouvi dizer. Devo confessar um certo orgulho ao ser plagiado. Sempre que ouço alguém falar de como usou um personagem que criei, um desfecho que apliquei ou uma história que contei sinto-me parte de um mundo mais largo, mais rico de alguma forma. Me sinto apreciado. Esta é a palavra, creio eu.

Apreciação também é uma forma de circularidade. Vou arriscar e dizer aqui que não apreciamos aquilo que não nos é familiar. Plagiando um de meus escritores favoritosamamos aquilo que conhecemos, e cada pedaço de “realidade” que nos é exposto para julgamento, é sujeito a uma tentativa de conexão de nossa parte, de criar familiaridade. Às vezes é fulminante, como ouvir a música certa ao sair do banho, que te leva para dez, vinte anos atrás e faz você pensar “Eu conheço isso – isso foi meu e agora é de novo“. Esse efeito, de conhecer e reconhecer, é que torna a apreciação circular.

Então que chego onde gostaria de estar há três parágrafos atrás. Li, como abertura de um tumblr de uma pessoa que não conheço, o seguinte trecho:

If I had a world of my own, everything would be nonsense. Nothing would be what it is, because everything would be what it isn’t. And contrary wise, what is, it wouldn’t be. And what it wouldn’t be, it would.

You see?

Yes.

Yes I do.

Hanging on a Cigarette

Publicado: janeiro 17, 2012 em general insanity
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Depois de meses sem nada escrever cá estou, numa situação que evoca sensações nostálgicas in yours truly. Lembra-me de uma dessas tantas madrugadas em que estava desperto na noite, acompanhado da luz amarela do abajur e do som incessante do cooler do computador aberto, e que seria indigna de nota senão por um acontecimento fortuito.

Escrevi.

Lembro-me vagamente do que escrevi, mas lembro que foi a base de algo que reescrevi muitos anos depois, numa oficina de literatura. Por sua vez, isso que escrevi foi publicado numa enorme coletânea de pequenos contos.

Lembro-me de, naquela noite, estar completamente sem rumo e de apenas ter deixado o texto me levar onde quer que fóssemos, e foi brilhante. Não o que escrevi, mas a sensação, a memória que ficou guardada em algum lugar dentro de mim. Memórias como essa são imprecisas, mascaradas pela distância daquele momento, e turveadas (espero que seja uma palavra) por emoções. E nessa versão, no episódio que ficou gravado comigo, a coisa que mais me impressiona é o sentimento de vazio – e não o vazio de sentimento – que emana dessa imagem. É um vazio que ameaçava fechar-se em volta daquele Thiago de uma maneira que não podia compreender antes, e continuo sem poder agora.

Mas não aconteceu. Creio que Thiago nunca percebeu o abismo cercando quase toda a sua volta. E a razão para tal me parece bem óbvia.

Thiago antes, como ainda agora, nunca manteve os pés no chão.

The Heart of Things

Publicado: junho 27, 2011 em general insanity

É madrugada. Luzes no prédio a frente acendem e apagam através da noite. Ouço o som baixo de um coro recitando palavras em uma língua que suponho que seja latim, porém não presto atenção o suficiente para compreender. Minha mente está em outro lugar.

Acabo de assistir à um filme que foi vendido como uma comédia, e de certo jeito ele o é, mas não como pensei que fosse. Não quero contar a história do filme, ou fazer críticas técnicas. O que quero é cristalizar minha catarse e transforma-la em algo que possa lembrar depois, sem a memória estar no caminho. Quero me lembrar dos minutos em que parei e pensei em perda, e na possibilidade de nunca ter coragem suficiente para arriscar perder. Nos minutos em que tomei para mim a epifania de um personagem. Nos breves momentos em que chorei por algo que só existiu na terra do faz-de-conta, e na falta de embaraço que tenho por isso.

Amo quando tais coisas acontecem. Amo ainda ser sensível à momentos como esse, mesmo que provenientes das coisas mais inesperadas possíveis. O filme é Super e, caso assistam-no, não lembrem do que escrevo aqui. Lembrem dos momentos em que vocês decidiram que amaram e odiaram aquelas pessoas que viram ali.

De quando viram vocês mesmos no coração das coisas.

Coisas Inefáveis

Publicado: março 3, 2011 em general insanity

As palavras são atraentes. Soam como um carícias, sopro. Soam como o som das asas dela.

“And then,
fighting to stay asleep,
wishing it would go on forever,
sure that once the dream was over,
it would never come back…

you woke up.”

Sempre.

Freedom or Death

Publicado: dezembro 6, 2010 em general insanity

And it happened again.

Sometimes I feel like something is inherently wrong with the world. Like, there is an universal law written somewhere, hidden within a place of power and protected from the eyes of mortal men and women. During those moments, I try and force myself to find some kind of reassurance on the possibility that the universe is not – in point of fact – evil.

No. It isn’t.

Sometimes, what happens is tha I find myself stuck inside some kind of running wheel, that makes me move fast and furiously and never leave whichever dark place I happen to be. In this universe, dark places are large and plenty, and most of them aren’t very easy to navigate. Dark places are different from the empty ones, and those empty ones I have not threaded in a long while.

It has been a long while since I felt that lonely. Perhaps not ever since I was twelve. But sometimes, when days start bleeding into the night, I find myself staring down at such places. And that’s when I start being weird.

It is exhilarating. Like freedom should be. Maybe it is.