Galáxias de Você

Publicado: setembro 3, 2010 em general insanity, real life

Sou um contador de histórias desde muito pequeno.

E antes que alguém avance com o pensamento que tal sentença quer dizer que eu mentia muito quando criança, bem, eu fiz isso, mas não é isso que quero dizer. Quero dizer que desde muito cedo imaginava ficções, histórias que se passavam em lugares parecidos com os que me cercavam e outros que só podiam ser imaginados.

Enquanto crescia, minha imaginação era exercitada constantemente. A portaria do prédio nos fundos do meu era uma nave espacial, lutei contra alienígenas vulneráveis à correntes de cobre, sonhava em participar de super-sentais. Eu tinha sete anos de idade.

Em uma época misturava elementos de maneiras absurdas: personagens de quadrinhos com sistemas de role-playing games, vagando por mundos conectados por mágica, onde as pessoas bebiam ouro e usavam moedas feitas d’água como dinheiro. Eu tinha dez anos de idade.

A fogueira do tempo queimou, e nos anos que seguiram nunca deixei o absurdo abandonar a minha mente. Aprendi a criar personagens que pareciam pessoas, a construir mundos onde estes personagens viviam,  conceber deuses e contar histórias envolvendo estes elementos. E então as histórias começaram a fazer sentido, e não só para mim: para as pessoas em volta.

Eram histórias simples, bobas talvez, mas falavam de coisas que eu e estas pessoas consideravam importantes. Falavam de bravura e camaradagem, de vitórias e derrotas, de estar preparado para situações inusitadas como ataques de zumbis ou a descoberta de que o mundo que conhecemos é a fachada que esconde horrores melhor ignorados.

Essas histórias podiam ser pouco – ou nada – interessantes para você, mas isso também é importante. A visão de cada pessoa sobre o mundo cria um novo universo que ocupa o mesmo lugar, e que é exatamente igual e absolutamente diferente ao mesmo tempo. Isto me ensinou a contar histórias diferentes para pessoas diferentes, me ensinou a misturar estrelas que só existiam dentro de uma pessoa, e de outra e de outra, e transforma-las numa galáxia, onde todos podíamos enxergar o brilho que antes só existia dentro de nós.

Desde então criei cosmogonias e tramas complexas, com camadas e mais camadas, misturando tudo que podia conseguir justificar. Achei consistência e razão, do caos criando ordem. E estas histórias moldaram o meu e o modo de outros de (vi)ver o mundo.

Através de histórias, descobrimos as pessoas que gostaríamos de ser:

Aquelas quais histórias choramos ao contar.

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