Musings in the Night

Publicado: abril 3, 2010 em general insanity, sketches, sleep deprivation

Pois então que me encontro aqui, esperando o download de um episódio de uma série que foi ao ar nos Estados Unidos há pouco mais de duas horas. Enquanto tento encontrar uma posição menos desconfortável no sofá, ao som  baixo de Steph Fraser e do ventilador no teto, me ocorre o quão inacreditável algo parecido soaria há há dez anos atrás.

Logo então me ocorre que isso não seria inacreditável há dez anos. Talvez há vinte, ou trinta até, mas não dez.

Anyway, o mundo tem cada vez mais encolhido, e é importante nos tocarmos disso. É importante tocarmos uns aos outros através dessas linhas virtuais que foram criadas pelo desejo humano de ser mais, ver mais, e explodir mais seus inimigos sem que eles percebam.

A música trocou para “Prelude”, by Globus. E por falar em música, eu decidi atualizar meu iPod hoje. As mesmas músicas sempre cansam.

O que cansa também é ler sobre a vida pouco interessante de uma pessoa que você não conhece. Mas para você não perder a viagem, vou tentar lhe contar uma história. Provavelmente não será muito boa, nem muito comprida, mas ela será. E isso é mais do que muita história por aí. Here goes:

“Era uma vez uma menina que morava no mato com seu avô. Seus pais haviam morrido há muito tempo num acidente de carro, lá por perto da Vila Nova. Ela não sabia quem ou quantos outros estavam envolvidos, e para ela pouco importava: seu avô era a soma de pai e mãe que ela precisava. O Seu Gutierrez, como os homems do arado o chamavam, era teimoso e ligeiro. Andava por aí com um daqueles chapéus de pano acinzentados, que ninguém mais usa em lugar algum exceto nos lugares em que alguém como o Seu Gutierrez mora.

A menina aprendeu tudo que sabia com o Seu Gutierrez. Ela tinha cabelos castanhos claros, cheirava à manhãs de primavera e tinha onze anos de idade. Logo faria doze, e sabia que quando isso acontecesse o Seu Gutierrez iria ensina-la como dirigir um trator. Ela queria muito aprender a dirigir, e um trator era melhor que nada. Ela achava que se conseguisse dirigir o trator direitinho, poderia convencer o Seu Gutierrez a deixa-la guiar o carro quando fossem ao centro. Ela não aguentava mais ir e voltar a pé como fazia pelo menos duas vezes por semana. Num desses dias, uma terça-feira para ser exato, ela voltava carregando lâmpadas para trocar a da sala, da varanda e guardar mais umas quantas. Eram lâmpadas demais para uma menina pequena como Laura, e ela estava fazendo seu melhor para que elas não caíssem e quebrassem.”

Nesse momento, eu deveria escrever o miolo da história. Aquilo que prendereia você por horas aqui, lendo um conto. Mas possivelmente por preguiça mental, ou falta de inspiração, não poderei faze-lo. Por enquanto terá que bastar dizer que chuva começará a cair, e um deslizamento ocorrerá. Ela correrá, pedirá ajuda para estranhos passando e isso não dará muito certo. Saiba também que ela conseguirá sair disso razoavelmente ilesa, com um corte no joelho direito e uma mordida num dos braços (sinta-se a vontade para escolher em qual). Ela fará tudo isso carregando as lâmpadas, e ao chegar perto da casa, estará orgulhosa de si, encherá o peito de ar e preparar-se-a para entrar em triunfo.

Este será o momento em que ela encontrará Seu Gutierrez morto na varanda. Ela então deixará sua até então preciosa carga cair e quebrar.

E a varanda ficará presa em escuridão.

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comentários
  1. V. disse:

    e depois??? hein? hein? hein?

    vem a abertura do seriado?
    hehe
    😉

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