Neverending Stories

Publicado: outubro 4, 2008 em general insanity, real life, sleep deprivation

A primeira história que eu lembro escrever foi sobre um homem sentado no banco de um ônibus. Ele sentava ali, absorto em pensamentos, perdido em solidão. Aos doze anos de idade, foi sobre solidão que decidi escrever. Lembro da reação da professora e dos colegas. Eles ficaram parados, fitando como se fosse alguma coisa alienígena. Foi interessante, acho. Para eles e para mim.

Depois de todo esse tempo, fico pensando “o que eu entendia sobre solidão naquela época?”. A resposta não me parece simples. Embora queira responder simplesmente “nada, eu era uma criança”, não me soa justo assumir que crianças não sabem sobre a solidão.

Não é simples ser criança. Eu lembro de certas coisas, de momentos duros, de problemas sérios, de medos que sentiam reais o suficiente, mesmo se não fossem. Acho que tenho um fascínio pela solidão. Quero ficar sozinho, ser deixado em paz, mas tenho medo de conseguir o que quero. Não sei o que quero. Não sei se sei o que sei, e o que sei parece tão falso às vezes que nem meus amigos mais próximos acreditam. Não acreditam em certas coisas que faço, que ninguém mais faria porque é idiota. Não sou um idiota. Pelo menos não acredito ser. Sou argumentativo, arrogante, self-righteous. Sou um idiota glorificado. E não sou nada mau.

Mas ainda não sou um canalha sublimado.

Feliz Aniversário, Rachael e Dan.

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comentários
  1. disse:

    a primeira palavra que aprendi escrever foi coelho. lembro que a professora pediu a sugestão, e era época de páscoa, então só pensávemos no coelhinho… é a coisa mais remota e primária que lembro de escola… o primeiro texto nem lembro, mas o que deixou vestígio de sua existência foi na quarta série (lá pelos meus 11 anos) quando a professora pediu uma redação de tema livre e eu perguntei se podia escrever um poema sobre a rosa cujo título era A Rosa… hehehe
    acho que uma pessoa que aprende a se conhecer ao longo do tempo e a respeitar a si mesmo enquanto simultaneamente desafia tb a sua inércia nunca está sozinha…
    sua mente está sempre povoada de histórias e movimento… até transformar essas formas da ausência em personagens de vida própria…
    por isso, mesmo tendo medo do que deseja, espero que deseje sempre e muito para que teus sonhos ganhem a forma da sua propria sorte e te desafiem a ser mais e melhor… 🙂
    Feliz aniversário!!!!!!!!!!!!!!

  2. V. disse:

    acho que uma Solidao busca companhia de outra Solidao… e nem sempre eh facil de achar. As pessoas hoje em dia nao cultivam mais Solidao.
    🙂

    desculpa pelo atraso.
    beijo!

  3. A Confeiteira disse:

    Eu discordo. Acho que muitas pessoas cultivam a solidão e o nosso amigo aqui até conhece várias delas. O problema são as pessoas que cultivam tanto a solidão que acabam criando um buraco negro no peito que quer te sugar pra dentro…

  4. valentinamc disse:

    …mas daí eu acho que é diferente. nesse caso é a solidão que cultiva as pessoas. e não o contrário. e os dois casos existem.

  5. A Confeiteira disse:

    É… pode ser… mas antes a pessoa tem que ter cultivado a solidão até o ponto em que esta tomou conta e começou a cultivar a pessoa.

  6. disse:

    entre os tipos de solidões, cultivadoras ou cultivadas, está a de vida nascida que acho que é a que eu tenho, aquela que vem como um talento nato… me causava muitos problemas até que parei de querer mudar e comecei a respeitar ela… me acostumei a ser um desastre e ao mesmo tempo um caso de amor passional com as outras pessoas… de vez em qdo eu me cobro ainda algumas coisas… mas sou assim mesmo, acho que está meio relacionado com minha total falta de memória… eu esqueço tudo principalmente as coisas ruins, tenho medo de o alemão me pegar qdo eu estiver velha caquética, mas esquecer tem tb suas recompensas… a solidão é tão inerente que às vezes esqueço que tenho falta de outras pessoas… mas é só olhar pra elas que lembro exatamento pq eu as amo e pq sempre estiveram comigo mesmo qdo nao estiveram, não lembrar nao é o mesmo que perder e talvez minha solidão só não é triste porque ela se esquece de que é solitária e então amo as pessoas como se sempre estivessem comigo… o que me dá um certo ar de felícia para-quedista… hehehe
    eu vivo reclamando no meu blog que não há comentários… a não ser do digníssimo deste que me empresta o seu para minhas choradeiras… mas não posso reclamar porque esqueci até pra quem eu deveria reclamar senão a mim mesma… tenho lá um reflexo de euzita… a ausência esquecida…
    só para fomentar a discussão… adoro conversas sobre o tudo e o nada… talvez escrever seja meu estratagema de prender a mim aquele que lê e de dizer que tudo que escrevo é pra fazer gostar em mim tudo o que eu gosto em você…

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