Pieces of May

Publicado: maio 9, 2008 em real life

Estava singrando o vazio da madrugada, quando encontrei, na casa de alguém que importa, algo importante. Era, quase ad verbatim, assim:

E eu que nunca soube dizer… Imagina agora. Agora que chove em meus feriados, e as manhãs são todas frias. Lá fora e aqui dentro. Imagina agora que não diferencio mais o que vem de fora e o que é de mim. Não diferencio mais presente e passado. E se nunca soube o que é real ou não… Imagina agora. E se o lugar que encontrei é arriscado? E se a minha segurança é a corda que balança tentando ligar dois pontos? E se eu quero jogar tinta preta na parede branca? E se eu quero assim, o mais óbvio possível, como preto no branco? E se só acho uma tinta branca pra tentar pintar minhas verdades nas paredes brancas dos meus sonhos? E se é assim então, as coisas se perdem. Minhas verdades se perdem. Minhas verdades vão indo, cada vez mais saturadas nesse mar de falsas esperanças. E eu não sei mais no que acreditar. Eu só o nó na cabeça de Jack.

… Não fuja. Mas eu não sei mais o que é não fugir. Eu sou o pé atrás. Eu sou a dor de se dividir. Não. Eu não sei mais o que é não fugir. Não sei o que é aceitar a posição que me deram. Não sei o que é não se mover. Não sei o que é não duvidar. Não, meu bem, eu não aprendi a confiar. Eu sou o espírito auto-destrutivo de Jack que não sabe mais o que é fazer dar certo. Eu sou o branco no branco que você não vê. E o plano que tracei pra não acontecer.

Eu sou o erro que eu queria cometer. E sou o erro que grita sempre dentro de mim. E a raiz que sobrou quando você arrancou as esperanças. Eu sou aquela matéria que ficou enterrada na terra, esperando ter algo pelo que crescer de novo. Eu sou a raíz das esperanças que não crescem mais. Eu sou a pá e a vassoura que juntam os cacos que sobraram. Eu sou o tubo de cola que tenta colar os cacos, sem nenhum sucesso.

Eu sou o que sobrou. E então me calo. Então me escondo atrás de palavras curtas e secas. Curtas e secas. Do jeito que eu queria estar. Queria ser a indiferença da Ana. Um deserto que não me dá lágrimas. Mas não. Eu sou a indecisão da escolha. Eu sou o pé atrás na hora de escolher. Eu sou os erros que eu faria todos outra vez. Eu sou a tristeza na hora de ir embora. Eu sou a tristeza na hora de ficar. Eu sou o coração partido de Jack.

Depois, numa sucessão de momentos estranhos, algo que achei que já havia acontecido aconteceu. E logo depois, ouvi alguém, que não é importante, dizer algo que importa. Era, ad verbatim, assim:

You must be good to each other, and to everyone else. Or if you cannot be good, be the least bad you can be.

Fico pensando nesses escritos e no que as pessoas que escreveram ou proferiram tais sentenças queriam dizer com elas. A intenção por trás das palavras. Mas como essas pessoas não podem me explicar, por uma razão ou outra, tudo que me resta é pensar no que entendo dessas palavras.

E não podemos exigir absolutamente mais nada de ninguém. Só esperar.

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