Quiet Night, Still Morning

Publicado: março 31, 2008 em general insanity, series

Não foi isso que aconteceu.

Estou ainda recuperando-me da massiva bebedeira de sábado a noite, bebendo chá, tomando remédios, comendo macarrão com molho enlatado e assistindo o décimo quinto episódio de Smallville, Veritas.

Veritas é o segundo episódio do que percebo como um arco de história descendente (o nome do próximo episódio ser Descent ajuda bastante na firmação da idéia na minha cabeça) de Kal-El. Neste episódio, Brainiac ressurge do buraco em que esteve escondendo-se e começa a colocar as manguinhas de fora. Ninguém sabe que diabos ele está fazendo, mas Kara (prima de Kal-El, aka Supergirl) acha que para que possam deter o supercomputador (e bota super nisso), Kal-El terá de deixar de frescura e finalmente aprender a voar. Claro que isso não acontece nesse episódio porque montes de outras porcarias ficam atrapalhando nosso herói.

Smallville sempre teve o péssimo hábito de abusar da fórmula “monstro-da-semana”, criando situações preguiçosamente costuradas juntas da maneira mais simples possível (i.e. culpem a kryptonita e pronto). Isso acabou virando uma rotina forte, poderosa e narcótica para a audiência, ou pelo menos para mim. Porém, de uns tempos para cá, Smallville tem tentado, com certos lampejos de brilhantismo, livrar-se desse estigma. Para isso, a equipe de criação escolheu tentar contar o que chamo de “sagas”: arcos de história compostos de vários episódios conectados por um tema em comum que vai sendo construído aos poucos e em segundo plano, até que toma proporções tão perigosas que torna-se primeiro alarmante ao espectador e só depois aos personagens. A criação da tensão é boa dessa maneira. E cria espectativa, tornando-nos ainda mais espectadores. E mais: justifica a existência do seriado por mais uma semana.

Nesse caso, eu chamo a história de um arco descendente porque existem vários tipos de histórias que são contadas nesses seriados, mas nem todas são sobre o desafio e desequilíbrio de paradigmas de um personagem, e as descendentes são onde isso acontece. Estas histórias estão entre as que mais me atraem, porque mostram crueldade, frieza, morbidez, fragilidade e humanidade. São fragmentos e representações do que existe de sombrio e torpe no universo, e isso torna ainda mais poderosa a exaltação do espírito do homem que segue adiante, que levanta e continua sua jornada. Se os escritores são tão bons quanto estou dando crédito, a metáfora que estão fazendo é brilhante: Que durante a mais negra e assustadora das quedas, o espírito e coração humano ainda podem aprender a voar e elevar-se às alturas.

É uma metáfora para esperança.

Genial.

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comentários
  1. me mande um email, marchetti, para entrar na minha caixa de contatos

    cincodois@yahoo.com

    é o meu

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