The Masks that Wear Us

Publicado: março 10, 2008 em general insanity, real life, series, sleep deprivation

maskreduced01We all wear masks. They can be worn out of love and the desire to remain close to those around us; to spare them from the complicated reality of our frayed psyches. We trade honesty for companionship and in the process never truly know the hearts closest to us.”

Será que só tenho o pavor indescritível de que vista uma máscara há tanto tempo que esteja completamente convencido de que seja meu verdadeiro rosto? Ou será exatamente o problema oposto? Poderia ser.

Uma pessoa, que um dia foi muito importante, me disse algo que agora me lembro como “nenhuma relação sobrevive a honestidade“. Talvez essa pessoa tenha razão. Ser honesto, ou vestir a máscara da honestidade, nunca me levou a lugar algum que quis chegar. Todos em volta de mim sempre falam de jogos, de subjetividades de coisas que não dissemos mas deixamos a entender. Das sutilezas do pensar, do falar, dos gestos que significam coisas que não podemos esperar compreender mas mesmo assim tentamos e falhamos. É mesmo possível que sejamos todos tão quebrados e partidos ao meio que simplesmente não possamos acreditar no melhor das pessoas? Que as pessoas realmente são aquilo que dizem e que querem ser?

Não. Não podemos. Sempre temos que pensar o pior. Temos que mante-los a distância além do braço. Criamos desculpas para que se afastem. Para que nos afastemos. Temos que testa-los. Temos que força-los a provar para nós que não irão fazer conosco mais uma vez o que todo o resto fez. Temos que ser quentes e frios e altos e baixos e tristes e catárticos, um atrás do outro, sem aviso, sem gestos, sem palavras que possam explicar. Queremos gritar para sermos deixados em paz para que não sejamos. Queremos que nos queiram como queremos que nos queiram ou de jeito algum. Queremos que sejam a soma de todos nossos medos, para que finalmente possamos manda-los embora e pensar solenemente conosco mesmos e saber que tínhamos razão o tempo todo. Que é melhor estarmos sozinhos do que com mais uma daquelas pessoas que sempre nos machucam do mesmo jeito.

Talvez seja essa a verdade. Talvez sejamos todos narcisistas perdidos em nossos próprios universos de medo, dor e insegurança, e que a maior de todas a batalha seja conseguir nadar contra a corrente e colocar os olhos para fora desse universo e olhar não para o espelho, mas através dele. Talvez assim, finalmente, paremos de enxergar o reflexo de tudo que existe de pior em nós nas outras pessoas.

E finalmente possamos sentir os corações que estão perto dos nossos.

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comentários
  1. disse:

    fire bird, magic oyster, black widow, joker (my favorite masks) 8)

  2. Lilith disse:

    Creio que é muito fácil patologizar os processos e transformar cada momento de sinceridade e honestidade em uma mera Projeção. Psiquiatras adoram fazer isso, tudo se resume a espelhos, espelhos. Tudo o que acontece tem um mecanismo de defesa por trás, muito triste ver a vida dessa forma. Acho ingenuidade reduzir as coisas a esse ponto. Se você parar pra pensar, talvez “ver através do espelho” seja justamente parar de criar projeções onde não existem. Já parou pra pensar que é muito mais difícil lidar com a alteridade, pura e simplesmente? Não é fácil lidar com pessoas diferentes de nós, muito menos com pessoas que costumam verbalizar o que a maioria silencia. São pessoas que te colocam em conflito consigo mesmo o tempo todo, e talvez sejam as melhores pessoas, porque você cresce horrores nesse processo maldito de se consumir no próprio fogo. Mas você só vai aproveitar positivamente o processo quando parar de ver tudo sob a ótica da projeção…Nietzsche dizia que procuramos tornar suspeito tudo aquilo que nos ameaça, pense nisso. A maneira mais fácil de tornar algo suspeito é distorcer um comentário e transformá-lo numa projeção.

  3. disse:

    caro, sonhador, quem diria que eu seria a pessoa que falaria isso para você, mas está falando de coisas utópicas
    utopias são símbolos oníricos de um ideal que só tem coerência, coesão e funcionalidade na abstração de pensamentos-satélites sem órbita, mas nem por isso elas devem deixar de ser pensadas, pois o exercício do sonho faz com que ideais alimentem idéias concretas
    eu sou muito a favor das máscaras, interessante é ver o quanto as pessoas se surpreendem comigo… e usar delas não é atuar, ser inconstante ou falsa, mas com verdade e respeito ao seu sentimento de redescoberta
    exemplo, o meu jeito de vestir ou a cor do cabelo
    às vezes me sinto hippie, às vezes gótica, às vezes mocinha brejeira, às vezes bicho do mato… e acabo me vestindo de acordo… meu cabelo não é vermelho… mas me sinto ruiva por escolha… para os outros é muita cansativa essa soma de variáveis, mas com o tempo a gente percebe que as variações tem uma lógica, uma busca equilibridade e que seria muito mais falso no meu caso, andar sempre de preto ou de azul ou etc e não se permitir a mudança
    somos sim fragmentados… um caleidoscopio de experiencias, o ser humano é complexo, mas muito bonito (por enqto eu ainda acho), mas as atrocidades que ele é capaz de fazer não consigo chamar de todo feias pq sei que eu não sou capaz de dizer que não faria o mesmo… e os fragmentos das nossas experiências não podemos nos abandonar… elas servem justamente para comparar… caso contrário não faríamos a leitura das coisas, não teríamos conhecimento, não entederíamos nem a nós mesmos, pq sem comparar o eu de hj e o eu de ontem nunca chegaremos a um nós apenas a eles… isso não quer dizer tb que vamos fazer sempre uma comparaçao justa, mas faremos o possível de acordo com nossa bagagem… quebrar paradigmas e surpreender-se é muito bom… mas sem o sapato apertado não tem o alívio então como saber do prazer de redescobrir algo sem ter já saber alguma coisa ou saber que não de muita coisa?
    para mim o espelho é reflexo de nós mesmos e não podemos superar o que somos e entender totalmente o outro e nos fazermos entender totalmente, porque nossa subjetiva vem a problematizar e acrescentar algo novo, somos complementares e não iguais… o espelho é silêncio e por isso mostra a nossa solitária realidade, que é nosso próprio olhar… através dele não se pode ver não de verdade, mas se pode tentar como exercício de aprendizagem e descobrir assim como faz a matéria dos sonhos a vencer a matéria da realidade
    muito bom o teu texto, realmente inspirador, acha que eu escreveria isso tudo sozinha? ou a comparação da minha subjetividade com a tua o alimentou?
    e continue assim… subverta a sua máscara, vire-a de cabeça pra baixo mesmo que te digam que está ao contrário!
    😉

  4. disse:

    credo! acho que exagerei no tamanho do comentário… hehehe
    quando eu fizer um blog eu deixo tu tomar conta dele
    😀

  5. A Confeiteira disse:

    Nossa! Não tem um blog ainda POR QUÊ?

  6. Oi. Bom texto, ritmo, coesão, coerência. Se concordo com a idéia nele? Não sei. Fico pensando em uma música tão pré-dinossáurica quanto eu mesma que diz: “Viver é melhor que sonhar”. (acho que é da Elis)e me pergunto: precisamos, mesmo, classificar e analisar o tempo todo? É necessário definir o que é máscara e o que é real? O que é real? Em que momento existe a troca do papel esperado pelo projetado? Tudo, enfim, não seria uma mesma forma de interagir (agir entre?) Gostei de vir aqui. quero ter mais tempo para ler com calma. Abraço.

  7. Kelly disse:

    Todo movimento tem uma motivação.
    Seja qual for a tua, contemplou algumas de minhas angústias. Ainda bem que no final, chegamos a mesma “conclusão”.
    …que a maior de todas a batalha seja conseguir nadar contra a corrente e colocar os olhos para fora desse universo e olhar não para o espelho, mas através dele. Talvez assim, finalmente, paremos de enxergar o reflexo de tudo que existe de pior em nós nas outras pessoas.E finalmente possamos sentir os corações que estão perto dos nossos.

    🙂

    Abraços
    Kelly

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