Tonight Tonight

Publicado: dezembro 20, 2007 em general insanity, real life

Amigos.

A maioria das pessoas, uma vez perguntada se tem amigos, diria instantaneamente que sim, sem parar para pensar no que acabara de ser perguntado de fato. E fato é que o que a maioria das pessoas chama de “amigos“, seriam melhor classificados como “conhecidos” ou “amigos de conveniência“.

Não é nada embaraçoso, ou sequer imoral. Não. Todos temos desses. São aquelas pessoas às quais nutrimos um certo sentimento de bem-querer, meio genérico, e gostamos de passar algumas horas na companhia delas enquanto não temos nada melhor para fazer. São aquelas pessoas às quais você ouve as histórias com certa desatenção, e que conta seus causos casuais. São as pessoas que você almoça com, trabalha com, estuda com, vive com, ou convive.

O problema com essas pessoas é que elas não conhecem você muito bem, e nem você as conhece. Vocês não trocam histórias tristes de anos atrás, de afetos, de desalentos. Não lhes confiam segredos com parcimônia e guarda os dela como se fosse os seus. Não conseguimos fazer isso com trivialidade. Não entregamos-nos assim. Precisamos ser conquistados, seduzidos por algo mais que parcos “bom dias”, sorrisos perfeitos e perguntas desinteressadas de como estamos. Acontece devagarinho, em um dia depois do outro. Numa noite de outono nada especial, cheia de frivolidades e cheiro de café. Sob uma chuva torrencial, fugindo do ônibus que tenta encharcar a todos na calçada. Numa palavra escapada e num olhar solidário dançando com o nosso. Com essas pequenas maravilhas despimos, camada por camada, essas pessoas e nós mesmos do mundo. Das coisas que dissemos que eram. Das coisas que nos contaram que somos. Da imagem enevoada que passamos  ao universo numa ingênua crença de que se mentirmos alto o suficiente, ninguém vai nos notar aqui e não teremos que chorar jamais.

Tolice.

O universo é bem mais esperto que nós. E com a graça grotesca que só a humanidade possue, às vezes nós os encontramos. Guardiões de segredos e portadores de chaves. Raros. Caros.

Amigos.

 Dedicado àqueles que saem do seu caminho para se encontrar com o meu. Aprecio vocês muito mais do que jamais poderei demonstrar com meu jeito alienado, afastado, abduzido.

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comentários
  1. A Confeiteira disse:

    Couldn’t agree more. Eu chamaria essa afinidade de química até, porque muitas vezes nos “sintonizamos” com alguém sem o conhecê-lo muito bem e sem saber exatamente o porquê. Apenas acontece. Pelo menos comigo é assim…

    PS: Gostei do abduzido…

    PS do PS: Iei!

  2. tis disse:

    absolutely beautiful! trouxe lágrimas aos meus olhos. parabéns querido, tu estás cada dia escrevendo melhor. thanks for sharing.
    beijão

  3. Mendez disse:

    Sempre às órdens, my friend.

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