Carry On My Wayward Son

Publicado: novembro 26, 2007 em general insanity, real life, series

Quanto mais as coisas mudam, mais permanecem as mesmas.

Ou alguma coisa assim.

Esse é um ditado francês (de acordo com o professor Charles Xavier) que fala sobre a inevitabilidade da história e sobre inabilidade humana de mudar. Quando uso a palavra “humana” aqui, me refiro à humanidade, à (in)capacidade dela de mudar, de fazer escolhas diferentes. Não que todas as coisas aconteçam iguaizinhas ao que aconteceram antes, decididamente não em um estilo poético tipo “All of this has happened before. All of this will happen again.“, mas em um esquema mais “The years passed, mankind became stupider at a frightening rate. Some had high hopes the genetic engineering would correct this trend in evolution, but sadly the greatest minds and resources where focused on conquering hair loss and prolonging erections. Traduzindo em miúdos para quem não tem saco para traduzir sozinho, a humanidade gasta tempo demais olhando para o lado errado. E agora, não é só a humanidade como um todo.

As pessoas, como indivíduos, também passam tempo demais olhando para o lado errado. Para o vizinho. Para o que não tem. A multidão vai a loucura, os dias voam e as pessoas continuam sempre querendo mais. De acordo com um filósofo (ou o Batman, não sei qual dos dois) o desejo é, ao mesmo tempo, o responsável pelas maiores conquistas e mais catastróficas besteiras do homem. Tá, ele não disse assim, desse jeito, mas esse é o espírito da coisa. Esse filósofo curtiu a idéia do homem abolir o desejo, abrir mão dessa história de querer mais sempre. As pessoas não levaram ele muito a sério, obviamente. As pessoas… desejam o desejo. A conquista é uma consequência direta do desejo (alguns diriam que às vezes da necessidade, mas eu classificaria “necessidade” como “tanto desejar que poderia vir a falecer se não o suprir”). É uma conquista muito, mas muito gostosa do desejo. Poucas coisas existem que tão satisfatórias quanto realizar um desejo. Se é que elas existem.

E é aí que vem a pegadinha. O problema com o desejo é que ele não muda e não acaba. Assim sendo, através das eras, homens e mulheres desejam sempre as mesmas coisas, over and over and over again. Como num carrossel sombrio e confuso, todos giramos lado a lado, às vezes cruzando caminhos mas sempre envoltos em nossos próprios desejares. Tentar escapar disso é uma ousadia fantástica e, de acordo com o tal filósofo, o caminho para a verdadeira felicidade.

Se a verdadeira felicidade é simplesmente existir, completamente sem desejos, eu devo dizer que a felicidade é um bocado vazia.

Ainda bem que não acredito nisso.

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comentários
  1. A Confeiteira disse:

    Homem primata, capitalismo selvagem…

  2. TONIOLO disse:

    Passei aqui e constatei abandono de blog…

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