Burn Me

Publicado: novembro 10, 2007 em general insanity, movies, real life, sleep deprivation

Quem não conhece a história de Romeu e Julieta?

A história do maior amor de todos os tempos. A mais famosa. A mais poderosa. A mais perigosa. Essa história foi vítima de dezenas de adaptações através dos quase cinco séculos de sua existência. Filmes, livros, histórias-em-quadrinhos, e mais filmes. Só para a televisão e o cinema, já foram mais de cinquenta obras. Em português, uma tradução livre:

A história de dois amantes desditosos, que em sua sepultura o ódio dos pais depuseram, na morte venturosos.”

A história de dois amantes desgraçados por ódio injustificável que, ao morrer, conseguem a paz entre suas famílias. A história de opostos que se cruzam por destino. Aliás, é isso que a expressão original quer dizer. “Star-crossed” se refere ao destino e a inevitabilidade de duas pessoas cruzarem seus caminhos. Ela também se refere ao azar, já que a história de Romeu e Julieta acaba mal. E isso aconteceu antes, acontece agora e virá de acontecer de novo. Pessoas se cruzam nessa existência, mas porque alguém ou alguma coisa ao redor arranja um motivo estúpido para atrapalhar esse encontro, as pessoas vivem o inferno. O escritor de um blog inteligentemente começou um artigo que falava das dificuldades que um casal homossexual, um palestino e um israelense, estava passando para que primeiro pudesse morar no país do segundo com a abertura da peça de Shakespeare.

A história de Romeu e Julieta não foi inventada por ele. Alguns dizem que foi baseada em obras de Arthur Brooke e William Painter, que por sua vez teriam inspirado-se em uma série de contos de origem italiana. Mas eu suspeito que o Universo tenha inventado essa história muito antes. Essa é uma história que se origina no ódio, no preconceito, nos recôndidos mais obscuros da alma humana. Porém, dessa matéria negra foi esculpida, desenhada, escrita e recitada uma história de esperança. A história de Julieta e seu Romeu acabou em indubitável tragédia, mas de seu infeliz destino nasce uma lição que suas famílias entendem. Uma lição que algumas pessoas entendem.

Eu não tenho coragem de levantar-me e afirmar com toda a certeza do Universo que eu aprendi a lição que a história ensina. No meu imaginário se encontra apenas a lição que penso ter encontrado. E espero que esteja no imaginário de mais alguém.

Enfim, é uma tragédia. Não uma história de amor. Uma amiga acredita, ou pelo menos convenceu-me de que acredita, que Romeu e Julieta só são considerados os maiores amantes de todos os tempos porque eles não tiveram tempo para que a paixão deles se apagasse. O que ela sugere é que eles se tornariam frios e desatenciosos e menores do que eles eram, como acontecem com todos os grandes amores. E provavelmente a maioria das pessoas concordaria com ela se ela apresentasse tal argumento com a convicção que eu sei que ela tem. Mas em meu peito romântico e pós-moderno, que sofre dos males da ingenuidade, insegurança e da falta de músculos bem-desenvolvidos, mora um outro destino para os jovens amantes. Afinal, eles foram venturosos na morte.

 Eles ardem juntos. Através de toda a eternidade. Uma tragédia.

Para nós que não.

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comentários
  1. . disse:

    …eu tava vendo um filme tri fofo e toda me emocionando e dai na hora que o casal protagonista vai dar o primeiro beijo (digamos, assim, naquele momento um pouco depois da metade do filme mas ainda antes do climax), me deu um puta dum enjoo e nojo e eca e eu passei a nao acreditar mais naquele romance, e dai fiquei realmente mto triste como se… como se eu fosse anoréxica de amor, ou algo do genero… que coisa horrivel ne.
    sinto q estou me repetindo. =p

  2. v. disse:

    uia! blog novo again??? ok, ok… 😉

  3. peste disse:

    🙂
    e de repente, do nada, eu entro no teu blog novo. e para minha surpresa, estou sendo citada! como a bitxch pessimista, mas ainda assim, sendo citada.

    brigada pelo sorriso sincero que tu fez surgir no meu rosto, nesse dia não muito bom.

  4. peste disse:

    mas eu tenho que criticar.
    acho a fonte muito grande.
    e não aparece o nome de quem comenta.

    a chata.

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