Get Cape. Wear Cape. Fly

Não faz sentido.

A perda de alguém querido. De alguém, de certa maneira, insubstituível no seu coração. A sensação é tão grande que deixa você insensível por um tempo. Algo quebrado, que não responde como deveria ao mundo. Às pessoas em volta. Ào próprio peito.

Não faz sentido.

E faz menos sentido ainda, tomar essa sensação de insensibilidade daqueles que perderam, quando não foi você que perdeu. Mas você sente a perda. A perda deles. Você sente que um pedaço do mundo ficou um pouco menos claro. Menos bom. Menos. O mundo deles perdeu um pedaço. E eles são seus. Seus amigos. Seus pais, irmãos, filhos, amados, queridos. Eles são o seu mundo. E eles perderam um pedaço.

Seu mundo perdeu um pedaço. E isso não faz sentido.

Talvez nunca faça.

“Grief is like the ocean. It’s deep, it’s dark, and bigger than all of us.”

Published in: on September 16, 2008 at 8:01 pm Comments (2)

Star-Jarring Lament

Alone she sleeps in the shirt of man
With my three wishes clutched in her hand

The first she be spared the pain
That comes from a dark and laughing rain
When she finds love may it always stay true
This I beg for the second wish I made too

But wish no more
My life you can take

To have her please just one day wake

Corta.

Published in: on May 17, 2008 at 1:29 pm Comments (2)

Life That is Not What it is

Há algo na imaginação humana que simplesmente me comove.

Certas palavras, escritas ou pronunciadas. Certas cenas, descritas nas folhas ásperas e aconchegantes  de um livro, ou emitidas por canhões de luz e reforçadas pelo som vívido que saem das suas caixas. É a água correndo. São os cães uivando. São as lágrimas que caem. É o sofrimento humano.

Uma cena dessas é como um cheiro. Traz memórias e sentimentos que nem sabia que haviam dentro de mim. Corro com astronautas ensandecidos lutando e caindo a milhões de quilômetros por hora em um espaço infindável, em busca de lugar para chamar de lar. Acompanho irmãos tentando salvar o mundo do que existe na sombra entre o dia e a noite, e tentando salvar a eles mesmos no processo. Venho ver e vivo a vida não-vivida por mim e por outros, mas experimentada por todos nós naquele momento. Imaginada, ali e, agora, aqui.

Estes são os quadros e esculturas do novo mundo. Estas são as virtudes do meu universo. São parte da vida que escolho viver todo o dia. Mas só parte dela.

Tem toda aquela parte que não foi imaginada, mas é humana. E simplesmente me comove.

Quiet Night, Still Morning

Não foi isso que aconteceu.

Estou ainda recuperando-me da massiva bebedeira de sábado a noite, bebendo chá, tomando remédios, comendo macarrão com molho enlatado e assistindo o décimo quinto episódio de Smallville, Veritas.

Veritas é o segundo episódio do que percebo como um arco de história descendente (o nome do próximo episódio ser Descent ajuda bastante na firmação da idéia na minha cabeça) de Kal-El. Neste episódio, Brainiac ressurge do buraco em que esteve escondendo-se e começa a colocar as manguinhas de fora. Ninguém sabe que diabos ele está fazendo, mas Kara (prima de Kal-El, aka Supergirl) acha que para que possam deter o supercomputador (e bota super nisso), Kal-El terá de deixar de frescura e finalmente aprender a voar. Claro que isso não acontece nesse episódio porque montes de outras porcarias ficam atrapalhando nosso herói.

Smallville sempre teve o péssimo hábito de abusar da fórmula “monstro-da-semana”, criando situações preguiçosamente costuradas juntas da maneira mais simples possível (i.e. culpem a kryptonita e pronto). Isso acabou virando uma rotina forte, poderosa e narcótica para a audiência, ou pelo menos para mim. Porém, de uns tempos para cá, Smallville tem tentado, com certos lampejos de brilhantismo, livrar-se desse estigma. Para isso, a equipe de criação escolheu tentar contar o que chamo de “sagas”: arcos de história compostos de vários episódios conectados por um tema em comum que vai sendo construído aos poucos e em segundo plano, até que toma proporções tão perigosas que torna-se primeiro alarmante ao espectador e só depois aos personagens. A criação da tensão é boa dessa maneira. E cria espectativa, tornando-nos ainda mais espectadores. E mais: justifica a existência do seriado por mais uma semana.

Nesse caso, eu chamo a história de um arco descendente porque existem vários tipos de histórias que são contadas nesses seriados, mas nem todas são sobre o desafio e desequilíbrio de paradigmas de um personagem, e as descendentes são onde isso acontece. Estas histórias estão entre as que mais me atraem, porque mostram crueldade, frieza, morbidez, fragilidade e humanidade. São fragmentos e representações do que existe de sombrio e torpe no universo, e isso torna ainda mais poderosa a exaltação do espírito do homem que segue adiante, que levanta e continua sua jornada. Se os escritores são tão bons quanto estou dando crédito, a metáfora que estão fazendo é brilhante: Que durante a mais negra e assustadora das quedas, o espírito e coração humano ainda podem aprender a voar e elevar-se às alturas.

É uma metáfora para esperança.

Genial.

Published in: on March 31, 2008 at 3:40 am Comments (1)

Crushed

2:03am.

Estava a devorar um vidro de cerejas em conserva e assistir meus seriados. O episódio Traveler, da sétima temporada de Smallvile, me chamou especialmente a atenção.

O episódio trata de revelar a existência de uma sociedade até então secreta chamada Veritas (verdade em latim, ou próximo disso) cujo objetivo era observar e proteger um viajante espacial que havia chegado à Terra durante um meteor shower (que é obviamente nosso herói, Kal-El de Krypton). Acontecem várias coisas interessantes nesse episódio, e uma delas é que ele foge um pouco da mesmice que é uma marca registrada de Smallville desde a primeira temporada. E ele faz isso através de uma narrativa tremendamente mais dinâmica do que a média do seriado. Há aqui uma sensação de evolução na história dos personagens e, portanto, do microverso do qual a série trata. Embora tudo isso seja massa e me deixe cheio de sentimentos felizes, não é por isso que ele me chamou especialmente a atenção.

Smallville sempre teve um tratamento especial com sua fotografia. Consistente e cuidadoso, manteve uma coerência exemplar na escolha das cores através das sete temporadas. Escrevi um trabalho sobre isso para minha cadeira de direção de fotografia inclusive, embora tenha a impressão de que tenha escrito um monte de porcaria. Portanto, não tentarei reproduzir aqui tal relato ou sequer tentarei re-explicar. É bom e deu. O que vem para complementar o cuidado fotográfico aqui é a música. Não sei se trocaram de compositor, ou se finalmente o roteiro foi interessante o suficiente para fazer o músico querer ouvir as músicas que escreveu para o episódio antes de entrega-las, mas o fato é de que elas são incrivelmente complementares na narrativa. Elas se movem do seu, usualmente, estado de música de elevador e vem para um segundo plano permeando o primeiro durante as ações e importante diálogos dos personagens. Bem orquestradas. Emocionantes. Thumbs up.

Agora, o que me motivou a mover minha lindíssima bunda do meu sofá e vir aqui escrever essas palavras é da crueldade que esse episódio me mostrou. Ele me fez sentir mal, triste. Coisas ruins aconteceram de maneiras especialmente bem pontuadas. De maneira simples e fria, me fez sentir como se um pedaço da luz do mundo tivesse permanentemente se apagado. Disse a senhorita Patricia Swann:

Mesmo com todo o poder do Sol, metade do planeta está sempre mergulhado em escuridão.

E não é  que é a mais absoluta verdade?

Published in: on March 22, 2008 at 3:32 am Comments (4)

The Masks that Wear Us

maskreduced01We all wear masks. They can be worn out of love and the desire to remain close to those around us; to spare them from the complicated reality of our frayed psyches. We trade honesty for companionship and in the process never truly know the hearts closest to us.”

Será que só tenho o pavor indescritível de que vista uma máscara há tanto tempo que esteja completamente convencido de que seja meu verdadeiro rosto? Ou será exatamente o problema oposto? Poderia ser.

Uma pessoa, que um dia foi muito importante, me disse algo que agora me lembro como “nenhuma relação sobrevive a honestidade“. Talvez essa pessoa tenha razão. Ser honesto, ou vestir a máscara da honestidade, nunca me levou a lugar algum que quis chegar. Todos em volta de mim sempre falam de jogos, de subjetividades de coisas que não dissemos mas deixamos a entender. Das sutilezas do pensar, do falar, dos gestos que significam coisas que não podemos esperar compreender mas mesmo assim tentamos e falhamos. É mesmo possível que sejamos todos tão quebrados e partidos ao meio que simplesmente não possamos acreditar no melhor das pessoas? Que as pessoas realmente são aquilo que dizem e que querem ser?

Não. Não podemos. Sempre temos que pensar o pior. Temos que mante-los a distância além do braço. Criamos desculpas para que se afastem. Para que nos afastemos. Temos que testa-los. Temos que força-los a provar para nós que não irão fazer conosco mais uma vez o que todo o resto fez. Temos que ser quentes e frios e altos e baixos e tristes e catárticos, um atrás do outro, sem aviso, sem gestos, sem palavras que possam explicar. Queremos gritar para sermos deixados em paz para que não sejamos. Queremos que nos queiram como queremos que nos queiram ou de jeito algum. Queremos que sejam a soma de todos nossos medos, para que finalmente possamos manda-los embora e pensar solenemente conosco mesmos e saber que tínhamos razão o tempo todo. Que é melhor estarmos sozinhos do que com mais uma daquelas pessoas que sempre nos machucam do mesmo jeito.

Talvez seja essa a verdade. Talvez sejamos todos narcisistas perdidos em nossos próprios universos de medo, dor e insegurança, e que a maior de todas a batalha seja conseguir nadar contra a corrente e colocar os olhos para fora desse universo e olhar não para o espelho, mas através dele. Talvez assim, finalmente, paremos de enxergar o reflexo de tudo que existe de pior em nós nas outras pessoas.

E finalmente possamos sentir os corações que estão perto dos nossos.

Published in: on March 10, 2008 at 4:39 am Comments (6)

For Tonight You’re Only Here to Know

Acabei de assistir o episódio homônimo de One Tree Hill e a série mais uma vez me lembrou as razões que me fazem voltar a assisti-la, episódio por episódio.

A premissa inicial é da história de dois garotos, meio-irmãos, que se odeiam e não se conhecem nada bem. Lucas e Nathan, como a grande maioria de nós, são o produto direto da história de seus pais, das coisas que eles fizeram e deixaram de fazer. Isso não seria um grande problema (exceto talvez ao pagar contas de terapia) se os dois não morassem em uma cidade de primeira (marcha) e fossem forçados a conviver num mesmo time de basquete da (única) escola. É assim que começa OTH.

A medida em que os episódios passam, cada vez mais elementos começam a misturar-se na história dos garotos. Num grande passo para séries desse tipo, One Tree Hill tem a coragem de criticar o próprio gênero através de diálogos dos seus personagens, situações absurdas e, mais importante, esperteza para desviar das armadilhas que ameaçam todas as séries de longa duração.

Nas quatro temporadas, e até agora na quinta, OTH teve um forte apela literário através de Lucas. A dele é a romântica história de um garoto no caminho de se tornar um homem. E não um homem qualquer. Um homem bom.

Eu poderia escrever horas sobre como é bem trabalhado o desenvolvimento de certos personagens, ou de como a direção e os roteiros de alguns episódios são simplesmente o material dos quais os sonhos são feitos, mas estou com preguiça. Então, fica a minha conclusão sobre a série.

One Tree Hill é uma série sobre pessoas tentando ser pessoas. As melhores que elas puderem ser.

E ter alguém com quem partilhar isso.

Published in: on February 28, 2008 at 7:43 pm Comments (1)

Beneath

Enough said.

Published in: on February 22, 2008 at 2:18 pm Comments (4)

The Only Ash is Life

Hoje eu fui lembrado que amor, verdadeiro amor, é sobre sacrifícios.

Fui lembrado de que a única coisa que deixamos para trás ao vivermos é a própria vida. A vida que foi. Estamos sempre entre os impossíveis o que pode ser e o que poderia ter sido, mas o assustador fato é de que estamos para sempre atrelados ao que é.

Amarrados. Condenados. Apaixonados. Redimidos.

Vivos.

O verdadeiro amor, é viver.

Let’s drink to that.

 

Published in: on February 20, 2008 at 1:52 pm Comments (1)

Carry On My Wayward Son

Quanto mais as coisas mudam, mais permanecem as mesmas.

Ou alguma coisa assim.

Esse é um ditado francês (de acordo com o professor Charles Xavier) que fala sobre a inevitabilidade da história e sobre inabilidade humana de mudar. Quando uso a palavra “humana” aqui, me refiro à humanidade, à (in)capacidade dela de mudar, de fazer escolhas diferentes. Não que todas as coisas aconteçam iguaizinhas ao que aconteceram antes, decididamente não em um estilo poético tipo “All of this has happened before. All of this will happen again.“, mas em um esquema mais “The years passed, mankind became stupider at a frightening rate. Some had high hopes the genetic engineering would correct this trend in evolution, but sadly the greatest minds and resources where focused on conquering hair loss and prolonging erections. Traduzindo em miúdos para quem não tem saco para traduzir sozinho, a humanidade gasta tempo demais olhando para o lado errado. E agora, não é só a humanidade como um todo.

As pessoas, como indivíduos, também passam tempo demais olhando para o lado errado. Para o vizinho. Para o que não tem. A multidão vai a loucura, os dias voam e as pessoas continuam sempre querendo mais. De acordo com um filósofo (ou o Batman, não sei qual dos dois) o desejo é, ao mesmo tempo, o responsável pelas maiores conquistas e mais catastróficas besteiras do homem. Tá, ele não disse assim, desse jeito, mas esse é o espírito da coisa. Esse filósofo curtiu a idéia do homem abolir o desejo, abrir mão dessa história de querer mais sempre. As pessoas não levaram ele muito a sério, obviamente. As pessoas… desejam o desejo. A conquista é uma consequência direta do desejo (alguns diriam que às vezes da necessidade, mas eu classificaria “necessidade” como “tanto desejar que poderia vir a falecer se não o suprir”). É uma conquista muito, mas muito gostosa do desejo. Poucas coisas existem que tão satisfatórias quanto realizar um desejo. Se é que elas existem.

E é aí que vem a pegadinha. O problema com o desejo é que ele não muda e não acaba. Assim sendo, através das eras, homens e mulheres desejam sempre as mesmas coisas, over and over and over again. Como num carrossel sombrio e confuso, todos giramos lado a lado, às vezes cruzando caminhos mas sempre envoltos em nossos próprios desejares. Tentar escapar disso é uma ousadia fantástica e, de acordo com o tal filósofo, o caminho para a verdadeira felicidade.

Se a verdadeira felicidade é simplesmente existir, completamente sem desejos, eu devo dizer que a felicidade é um bocado vazia.

Ainda bem que não acredito nisso.

Published in: on November 26, 2007 at 8:12 pm Comments (2)