Depois de meses sem nada escrever cá estou, numa situação que evoca sensações nostálgicas in yours truly. Lembra-me de uma dessas tantas madrugadas em que estava desperto na noite, acompanhado da luz amarela do abajur e do som incessante do cooler do computador aberto, e que seria indigna de nota senão por um acontecimento fortuito.
Escrevi.
Lembro-me vagamente do que escrevi, mas lembro que foi a base de algo que reescrevi muitos anos depois, numa oficina de literatura. Por sua vez, isso que escrevi foi publicado numa enorme coletânea de pequenos contos.
Lembro-me de, naquela noite, estar completamente sem rumo e de apenas ter deixado o texto me levar onde quer que fóssemos, e foi brilhante. Não o que escrevi, mas a sensação, a memória que ficou guardada em algum lugar dentro de mim. Memórias como essa são imprecisas, mascaradas pela distância daquele momento, e turveadas (espero que seja uma palavra) por emoções. E nessa versão, no episódio que ficou gravado comigo, a coisa que mais me impressiona é o sentimento de vazio – e não o vazio de sentimento – que emana dessa imagem. É um vazio que ameaçava fechar-se em volta daquele Thiago de uma maneira que não podia compreender antes, e continuo sem poder agora.
Mas não aconteceu. Creio que Thiago nunca percebeu o abismo cercando quase toda a sua volta. E a razão para tal me parece bem óbvia.
Thiago antes, como ainda agora, nunca manteve os pés no chão.
hey, you should write here more frequently