É madrugada. Luzes no prédio a frente acendem e apagam através da noite. Ouço o som baixo de um coro recitando palavras em uma língua que suponho que seja latim, porém não presto atenção o suficiente para compreender. Minha mente está em outro lugar.
Acabo de assistir à um filme que foi vendido como uma comédia, e de certo jeito ele o é, mas não como pensei que fosse. Não quero contar a história do filme, ou fazer críticas técnicas. O que quero é cristalizar minha catarse e transforma-la em algo que possa lembrar depois, sem a memória estar no caminho. Quero me lembrar dos minutos em que parei e pensei em perda, e na possibilidade de nunca ter coragem suficiente para arriscar perder. Nos minutos em que tomei para mim a epifania de um personagem. Nos breves momentos em que chorei por algo que só existiu na terra do faz-de-conta, e na falta de embaraço que tenho por isso.
Amo quando tais coisas acontecem. Amo ainda ser sensível à momentos como esse, mesmo que provenientes das coisas mais inesperadas possíveis. O filme é Super e, caso assistam-no, não lembrem do que escrevo aqui. Lembrem dos momentos em que vocês decidiram que amaram e odiaram aquelas pessoas que viram ali.
De quando viram vocês mesmos no coração das coisas.
Adoro lê-lo