The Golden Age

Às vezes nem parece que estou aqui.

Antes havia tempo demais. Uma enchente de existencialismo, uma maré de pensamentos vindos da gloriosa eternidade. A vida-não-vivida, contemplada, imaginada, logo ali fora e fora de mim. Agora as coisas mudaram e não há mais tempo para refletir sobre a vida-vivida. Ela acontece como a chuva, em nuvens carregadas e desaba em mim sem o menor aviso. Os momentos entre as tempestades não são suficientes para fazer sentido de tudo aquilo que escorreu em volta. Não há como ver cada pingo, como beber toda a água, pular e dançar sobre todas as poças.

Quando isso acontece, tudo que quero é tempo para poder imaginar de novo. Sem imaginar, eu não consigo viver.

Published in: on June 30, 2008 at 7:13 pm Comments (4)

An Unkindness

Parecia uma quermesse: multidão e uma capela. O céu, um pântano de ponta-cabeça, onde a segurança era a da solidez das nuvens. Vozes ao longe, meio-entendidas, ânimos que se “enormecem” com o horizonte. Risadas sem-contexto, sem-vida. A mosca pousada ao lado do calçado, o calçado deitado de lado na laje, a laje fervendo sob o poder do sol. Os netos órfãos, fendidos e perdidos. A lágrima caindo rumo a um derradeiro momento. O som dos saltos rumo ao fim. A dor no som. A dor deles é tão grande que é quase minha.

O bip do alarme faz meu coração disparar e eu não sei por que.

Published in: on June 20, 2008 at 3:07 pm Comments (0)