Às vezes nem parece que estou aqui.
Antes havia tempo demais. Uma enchente de existencialismo, uma maré de pensamentos vindos da gloriosa eternidade. A vida-não-vivida, contemplada, imaginada, logo ali fora e fora de mim. Agora as coisas mudaram e não há mais tempo para refletir sobre a vida-vivida. Ela acontece como a chuva, em nuvens carregadas e desaba em mim sem o menor aviso. Os momentos entre as tempestades não são suficientes para fazer sentido de tudo aquilo que escorreu em volta. Não há como ver cada pingo, como beber toda a água, pular e dançar sobre todas as poças.
Quando isso acontece, tudo que quero é tempo para poder imaginar de novo. Sem imaginar, eu não consigo viver.