A primeira história que eu lembro escrever foi sobre um homem sentado no banco de um ônibus. Ele sentava ali, absorto em pensamentos, perdido em solidão. Aos doze anos de idade, foi sobre solidão que decidi escrever. Lembro da reação da professora e dos colegas. Eles ficaram parados, fitando como se fosse alguma coisa alienígena. Foi interessante, acho. Para eles e para mim.
Depois de todo esse tempo, fico pensando “o que eu entendia sobre solidão naquela época?”. A resposta não me parece simples. Embora queira responder simplesmente “nada, eu era uma criança”, não me soa justo assumir que crianças não sabem sobre a solidão.
Não é simples ser criança. Eu lembro de certas coisas, de momentos duros, de problemas sérios, de medos que sentiam reais o suficiente, mesmo se não fossem. Acho que tenho um fascínio pela solidão. Quero ficar sozinho, ser deixado em paz, mas tenho medo de conseguir o que quero. Não sei o que quero. Não sei se sei o que sei, e o que sei parece tão falso às vezes que nem meus amigos mais próximos acreditam. Não acreditam em certas coisas que faço, que ninguém mais faria porque é idiota. Não sou um idiota. Pelo menos não acredito ser. Sou argumentativo, arrogante, self-righteous. Sou um idiota glorificado. E não sou nada mau.
Mas ainda não sou um canalha sublimado.
Feliz Aniversário, Rachael e Dan.
